quinta-feira, 24 de março de 2011

EM DEFESA DA CIDADE ONDE MORO COM MINHA FAMÍLIA

AGROTÓXICOS
(Helena Prado)
 Links relacionados:
http://partisanrs.blogspot.com/2010/09/agrotoxicos-ja-contaminam-ate-o-sague.html http://www.diariodecuiaba.com.br/detalhe.php?cod=390158

Uma pesquisa realizada pela FIOCRUZ em parceria com a UFMT e divulgada em 2010 recentemente ganhou as manchetes na mídia. Trata-se de pesquisa que detectou presença de agrotóxicos na urina, sangue e até no leite materno das lactantes de Lucas do Rio Verde. Isso abriu uma discussão acirrada acerca do assunto, notadamente porque já se avizinha o ano eleitoral de 2012 e muitos assuntos esquecidos no ano eleitoral de 2010 já estão sendo levantados visando os planos de administração municipal dos futuros candidatos.


O perigo dos agrotóxicos é indiscutível. Quanto mais próxima a área plantada da zona urbana ou povoados, mais exposta está a população aos efeitos indesejáveis dos referidos produtos. No nosso município, as plantações de milho e soja esbarram nas últimas quadras do plano urbanístico.

Não se pode negar ou infirmar uma pesquisa científica com meros argumentos defensivos, sem base fundamentada. O fato de a pesquisa ter sido realizada supostamente com dados colhidos em anos anteriores, não significa que a exposição aos perigos nesta data tenham sido reduzidos ou que seus efeitos sejam menores. Isto porque a área plantada cresce a cada dia. As culturas se sucedem em períodos contínuos várias vezes por ano.

Para se garantir a produtividade da terra e a baixa incidência de pragas é indispensável a aplicação de defensivos e fertilizantes. A aplicação desses produtos, mesmo nas dosagens recomendadas pelos fabricantes, não isenta a população dos efeitos colaterais, que são mais contundentes nas pessoas que manejam tais produtos ou nos que vivem nas imediações de sua aplicação.

Além disso, há a disseminação que se dá com rapidez pela aplicação  aérea, posto que os ventos e chuva permitem o rápido transporte dos elementos em suspensão no ar. Porém essa contaminação não se efetiva só e diretamente pela atmosfera, mas também através da infiltração dos produtos no solo, cujas águas pluviais percolam e infiltram até os mananciais,  carregando os resíduos até as nossas casas. Isso sem contar com a contaminação pelo consumo direto de produtos vegetais in natura.

Muito embora a Prefeitura de Lucas do Rio Verde se empenhe em promover esclarecimentos e policie de alguma forma o uso abusivo dos defensivos agrícolas, não se pode olvidar que é impossível que se faça uma fiscalização efetiva, precisa e eficaz do manejo desses agrotóxicos na zona rural, notadamente pela falta de meios e material humano para isso.

Por outro lado, muitos agricultores, na ânsia de aumentarem sua produtividade e com isso obterem maiores lucros, compensarem as perdas anteriores e alcançarem os resultados a custos reduzidos, optam pela aplicação de produtos que já foram banidos dos mercados internacionais, adquirindo-os através de contrabando do Paraguai, aplicando-os indiscriminadamente às escondidas e burlando toda sorte de controle que o poder público possa ter.

 Assim, é bom que todos coloquem suas barbas de molho e admitam a realizade apontada na pesquisa divulgada como um alerta muito importante. Seja qual for a data da sua coleta, esses dados apontam resultados alarmantes que anunciam o sério risco ao qual estamos expostos,  mesmo porque SE repetida a referida pesquisa, não se pode precisar que não seriam confirmados esses resultados nefastos.

 

A única forma de se coibir tais abusos, como o uso indiscriminado de fertilizantes e agrotóxicos, é através da educação, da conscientização da população e dos produtores. A população, para que cobrem e se mobilizem para pedir providências das autoridades governamentais, no sentido de disponibilizarem meios eficientes para uma fiscalização enérgica e coercitiva do manejo desses agrotóxicos. Os produtores para que vejam com inteligência e com o coração os resultados nocivos que a sua atividade pode causar aos seus iguais, evitando com isso que sejam eles também vítimas, e só após promovam meios alternativos de proteger a lavoura, praticando o uso consciente e contido de produtos agrotóxicos.



Lucas do Rio Verde, cidade progressista e painel para o mundo em razão do mercado da soja, tem sido modelo para o Brasil, tanto em produção agrícola, geração de empregos, educação, saúde, urbanismo e outras áreas sociais, o que lhe confere uma das melhores qualidades de vida do Brasil. Tem atraído os olhares e investimentos de setores industriais, por ser a cidade que mais cresce no Estado, além de estar entre as 5 que mais contribuem com divisas para o Mato Grosso. 


Com a instalação de grandes indústrias de beneficiamento dos produtos do agronegócio, vieram os imigrantes. O aumento demográfico repentino, fez dobrar a população da cidade que há 10 anos contava com 20mil, hoje já somos mais de 50mil habitantes e em franco crescimento. 


Apesar de contribuir com grande parcela para o PIB Estadual, Lucas do Rio Verde não vem recebendo do Estado, nesse mesmo período, o proporcional investimento em infraestrutura, o que tem causado alguns transtornos aos seus habitantes.


Porém, como sempre, continua modelo para o Brasil ao enfrentar com seriedade e dinamismo por parte da sociedade civil organizada os problemas que afligem a população, a exemplo da Cadeia Pública que é a mesma há 20 anos, e que está recebendo investimento municipal para ampliação além de construção de uma nova, em parceria com o Estado, para abrigar os reeducandos provisórios.

Por isso, tenho confiança de que Lucas do Rio Verde vai ser exemplo mais uma vez, com a solução eficiente deste problema, retornando para breve uma resposta efetiva, sem "panos quentes", independente de iniciativa do Poder Público, com o intuito de continuar na vanguarda e manter o seu status de excelente qualidade de vida no Brasil, anunciando em breve os resultados do manejo racional e controlado de produtos defensivos e fertilizantes, visando preservar a produtividade agrícola sem comprometer a riqueza maior que é a vida de seus habitantes.









Helena Prado Monteiro é graduada em Engenharia Civil pela UFMT, em Direito pela UNIVAG e
Funcionária do TJMT, a serviço do Forum de Lucas do Rio Verde.
(Imagens colhidas da internet)
http://www.mtnoticias.net/system/archives/1001/medium/images.jpg?1294058617
http://1.bp.blogspot.com/_L8i---KG3Xw/TCNIUosNWAI/AAAAAAAAE2E/y7eJ-6Lbajg/s400/agrotoxico4.jpg